Evolução criada ou criação evoluída?

megavalidadores

Pegando um gancho com o tópico clarete, em que vimos a evolução do gosto que, em um momento a preferência era por vinhos pálidos, claros, pouquíssimo concentrados e em outro, hoje, o predomínio é de vinhos mais concentrados, gostaria de levantar uma reflexão sobre o que, de fato, é evolução do gosto e o que é força de um sistema econômico que tem o Marketing como motor.

Ficamos admirados, e mais, perplexos quando constamos as capacidades humanas tanto no criar como no destruir. E a perplexidade tem de vir frente ao ato criador, pois é este que eleva o fato de “ser” humano, ainda que o ato destruidor possa ser visto como antecessor do criador. Ou seja, encerrar-se um passado e encarar, construir a novidade. Da mesma forma, nesta evolução mais claramente humana, encontramos ecos heraclitoniano afirmando que só o devir é real, o mundo um fluxo perpétuo. Nunca a permanência, sempre a mudança e com ela, a criação.

Se assim é, se somos um rio heraclitonianos, até onde esta evolução é natural, humana, e não induzida por sistemas perversos para fins estritamente comerciais, homogeneizando o gosto e standardizando a experiência? Em outras palavras, se me é permitida a analogia com a biologia, a reflexão se dá sobre, por um lado, o que é evolução natural, baseada na lenta seleção natural, como se deu com o clarete e, por outro, o que é uma intervenção premeditada para determinados interesses aos moldes da Eugenia.

Não é paranóia de conspiração perceber que esta evolução, hoje, universaliza e dita novas tendências e que, portanto, deve ser lida com atenção e crítica. Podemos entendê-la como reflexo do poder de poucos personagens da crítica de vinhos, que iniciaram uma influência global como validadores da opinião popular num período em que cultura, finanças e política convergiram em países – principalmente os EUA, anos 90 – em que antes havia restrições culturais e políticas ao vinho.

Beber vinho se tornou possível. Já era chic, agora é chic e fácil, pois Robert Parker, ou qualquer outro manual, disseram que tal Cabernet Sauvignon é nota 92. Pobres vinhos aqueles que não lhes são de preferência.

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