Ingleses e Bordeaux –Matrimônio e Ascensão (senta que lá vem História)

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É uma história um pouco complexa e agitada a das Estruturas Elementares de Parentesco da nobreza governante das regiões da França e Inglaterra, no que respeita a ascensão de Bordeaux.

Entenderemos que, antes de ser uma região profícua em vinhos de qualidade, Bordeaux precisou, para sua ascensão, de desiguais privilégios políticos parlamentares.

Antes de Bordeaux, a região que contava com privilégios era La Rochelle, onde, por volta de 1120 o duque da Aquitânia, Guilherme X (o Santo), construiu um porto que recebia navios de todo o norte da Europa. Neste momento iniciou-se uma extensa cultura de uvas que pretendia superar o comércio dos demais vinhos da França.

O duque Guilherme, extremamente culto, antes de morrer, em 1130, no caminho de Santiago de Compostela, proporcionou à sua filha, Leonor (da Aquitânia) excepcional educação. Dominando 8 idiomas e profundo senso crítico para a política, Leonor, uma mulher de atitude e gênio forte, se tornou herdeira d”o Santo”.

Era desejo de Guilherme que sua filha se casasse com o rei Luis da França, que, logo ao saber de Leonor ter se tornado herdeira, mandou-lhe buscar em Bordeaux, levando de quebra o dote Aquitânia e Poitou. Casaram-se em 1137.

O casamento turbulento durou 15 anos, período em que Leonor e Luis divergiram em decisões sobre conquistas territoriais. Quando em 1151, Henrique Plantageneta foi à corte em reunião protocolar, jogou seu charme sobre a pop rainha da França, esta, comparando seu carola marido ao jovem duque da Normandia e conde d’Anjou, passou a ter ideações adúlteras e pervertidas (por que não estratégicas?) por esta carne fresca, 11 anos mais jovem. Ocorreu que, em 1152, o casal Leonor e Luís teve sua união anulada por consangüinidade (cartas marcadas?): eram primos. Foi a brecha para Henrique pegar a rainha (ou o contrário…), coisa a que já estava acontecendo às escondidas…

Nesta altura, chegamos à origem da relação do claret (Boredeaux) com os ingleses, ou seja, com o matrimônio de Plantageneta da Inglaterra, com Leonor da França, em 1154.

Bourdeaux ainda não sentiu sua glória, Leonor ainda favorecia La Rochelle e Henrique à Anjou, no Loire, onde era conde. Este casamento também não foi tão romântico, tanto que culminou na prisão de Leonor por Henrique, mas este é outro assunto.

Em 1190, o filho do casal, o então rei Ricardo (Coração de Leão), teve como base Bordeaux. Sua catedral e castelo ducal conduziram alguns olhares para a região, além disso, fez do vinho bordalês o vinho oficial da Inglaterra. Mas, a ainda privilegiada era La Rochelle, que teve ampliação de seu porto, permitindo o acesso de mais e maiores embarcações.

Ricardo Coração de Leão foi morto e seu irmão João (Sem Terra) assumiu o reinado da Inglaterra e foi o primeiro rei inglês a oferecer oportunidade aos negociantes bordaleses de entrar no mercado inglês. Este foi mais um passo de Bordeaux em direção ao coração dos ingleses.

Enfim, em 1224, o rei da França tentou expulsar os ingleses do Poitou e de Guyene, e aí se deu o divisor de águas. La Rochelle ficou do lado do rei da França e Bordeaux permaneceu fiel à Inglaterra, passando a gozar dos privilégios do Parlamento.

O cerne dos privilégios, agora gozados por Bordeaux, está na obrigatoriedade das demais regiões produtoras apenas poderem vender seus vinhos às regiões consumidoras após Bordeaux tê-lo feito. Neste momento da história da produção vinícola o tempo era de extrema importância, pois o vinho não durava muito mais de um ano e devia ser tomado jovem. Após este período, o vinho passava a valer a metade do preço, não era incomum ser jogado fora.

Bordeaux, um porto muito bem localizado conseguia escoar sua produção aos seus consumidores, principalmente ingleses, sob estas injustas concessões conhecidas como Police de vins. Esta política manteve-ser mesmo depois de Bordeaux ter voltado a ser território francês, a fim de se evitar atos de insubordinação.

Este foi, então, o início de uma história bem retalhada, de idas e vindas. Neste período, pelo menos até a Guerra dos Cem Anos, o inglês aprendeu muito sobre este vinho, consagrando-o, exclusivamente, como claret, lhe considerando singular e de especial agrado, mesmo depois de os franceses terem tomado estas terras.

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