Acerca dos Devaneios Liliputianos (post anterior)

A vivência do vinho não pode ser (e não é) apenas organoléptica. Todos que apreciam o vinho na solidão, ou bem acompanhados, sabem disso. Assim, para alcançar a que o vinho nos lança, mas não apenas partindo de uma lógica empírica de descrições de aromas e sensações táteis, procuro por outras formas de apresentar experiências. Literaturas psicológicas, filosóficas, fenomenológicas, semióticas e, finalmente, poéticas enquadrando todas as anteriores (se é que já não se auto-enquadram), podem nos tirar do vício da lógica empírica e alcançar a compreensão daquilo que se vive e se quer explicar.

O post anterior, a saber, “Devaneios Liliputianos”, traz algumas imagens sobre a intimidade material das coisas, sobre a intimidade de algo que estava sob segredo e a que atingimos graças ao nosso olhar para o interior das coisas. O interior que em seu centro vela e, ao “vivermos” esta coisa, nos desvela algo de maneira tal que nos tornamos, nós mesmos, o próprio objeto e, nele, nesta intimidade do interior, nesta identidade, encontramos, portanto, repouso e tranqüilidade.

As perspectivas exploradas no post nos trazem a dialética do dentro e fora, em que o dentro é, paradoxalmente, enorme. No entanto, relativizando, tratei de expor exemplos de uma função comum dos devaneios e eventos imaginativos, a função da miniaturização. Todos nós somos capazes de habitar objetos. Nenhum dos objetos sonhados preservam suas dimensões.

Os três versos do post apontam esta maravilhosa capacidade humana de viver, habitar e ser o objeto e, assim, compreendê-lo. Ao ler os dois primeiros me lembrei de ter escrito algo semelhante certa vez – quando em dado estado de humor e em dado momento de apreciação de um vinho. Resgatei e associei à temática.

Talvez o vinho seja a matéria (?), em cuja substância, as capacidades acima sejam mais “profundamente elevadas”… (mais uma licença poética…)

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