As Bacantes e os Bacantes – Circuito Brasileiro de Degustação

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Não só Zé Celso deu voz tupiniquim à festa de Baco no teatro, como, agora, os vinicultores brasileiros exibem seu talento na produção de excelentes vinhos.

A visita ao Circuito Brasileiro de Degustação, ontem, a meu ver, cumpriu seu objetivo se este era comprovar a qualidade e tipicidade dos vinhos brasucas. Acredito que foi satisfatória à maioria dos apreciadores, profissionais e críticos da área.

Não fiz uma visita minuciosa, não passei por todos os expositores, mas fui atento ao que provei e ouvi.

Falar sobre uma grande degustação como esta é injusto, pois alguns produtores de mérito ficam de fora das menções, mas… a vida é injusta…

Conheci a Routhier & Darricarrère. Foi-me servido seu Chardonnay, da linha Província de São Pedro, e fui tocado por ele. Sentindo certa peculiaridade, causou perplexidade (acho que um dos propósitos do vinho é este). Busquei informações com o enólogo Anthony Darricarrère, que me explicou sobre a produção deste branco. É uma pequena produção, é criado em sur lies, fermentado por leveduras “indígenas”, acompanhado cuidadosamente revelando uma tipicidade que ouso empregar a expressão vinho de terroir. Provei depois seus dois tintos, em que, certa porcentagem do corte é de vinho fermentado com leveduras “indígenas”, também. São vinhos de cujas personalidades revelam a do enólogo, um “experimentador”, explorador das possibilidades de se gerar vinhos genuínos, fugindo à standardização do gosto, arma assassina da diversidade e natureza do vinho, que hoje afeta a vinicultura como indústria.

Sanjo, outro produtor que me chamou a atenção. Nunca tive muitas experiências com vinhos da Serra Catarinense. Seu Sauvignon Blanc de aroma intenso, seu Chardonay estruturado, causaram alegria. No Planalto Catarinense, a Kranz com seu Sauvignon Blanc também surpreendeu.

Injustiça será feita e deixarei muitos de fora deste post, mas menciono, ainda, os ótimos e graciosos espumantes da enóloga Flávia Cavalcanti e seu sedoso Perini Qu4tro. E os já conhecidos e inolvidáveis Casa Valduga e Domno.

O slogan “Abra sua cabeça / abra um vinho do Brasil”, tem seu propósito, por outro lado, deve-se considerar outro fator: “o bolso”. Não vou discutir custo de produção, fiscalização, selo dos vinhos brasileiros, nem, salvaguarda (seu fantasma), importação, logística, questões aduaneiras que oneram o vinho importado. Pra mim é evidente a qualidade de nossos vinhos, temos vinhos capazes de competir com vinhos gringos, porém, ainda não atingiram um nível de “alternativa”, pois não são acessíveis ao novo consumidor que tremeria frente a uma faixa de preço acima de R$ 40,00, seja para o nacional, seja para o gringo.

Neste sentido, a discussão de popularizar o vinho brasileiro ao consumidor brasileiro deve considerar, além da qualidade (e, forçosa e infelizmente, o marketing), meios de torná-lo acessível àquele possível consumidor.

Satisfeito ficarei quando for ao mercado e levar para casa duas garrafas honestas de vinho brasileiro a um custo análogo ao daquele cidadão espanhol (por exemplo) que faz o mesmo passeio deixando no caixa três euros por botella.

*Já que citei o Zé:

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