O Gosto, empírico e poético

O Poéta do Vinho - Omar Khayyam

Uma das maiores dificuldade, senão a dificuldade por excelência, de uma degustação, é a expressão das sensações.

Claro, perceber e discriminar as sensações são um desafio, mas este se resolve à base de referências e treinos. Referências de cheiros e gostos que já foram experimentados (ou vividos, como o quer minha proposta) e treino para identificá-los.

Já a expressão exige um segundo nível da vivência da degustação, que se refere, de certa forma, ao criar (como já mencionado em posts anteriores). Sim, nos moldes defendidos neste blog, ao se lançar mão da imaginação baseada na vivência do degustar, estamos prontos para criar o relato desta experiência. Este relato, invariavelmente, se dará por imagens poéticas, o que ocorre de maneira autêntica, e reflete clara e genuinamente a experiência vivida pelo degustador.

Estamos frente a outro paradigma. Os leitores que acompanharam posts anteriores, reconhecem este discurso.

No entanto, não sou um dissidente de minha escola, onde muito aprendi.

É difícil para qualquer indivíduo ocidental pelo menos, pensar e entender algo sem que o faça por meio da análise e com “análise” quero dizer: dividir em partes e estudar essas partes. É o paradigma atual, é o empirismo que na ciência natural conquistou tantas coisas. Já não diria o mesmo para as ciências humanas, e incluo o vinho, não o vinho-objeto, mas o vinho pressuposto neste blog, na categoria de ciências humanas, por isso a minha proposta de outro paradigma.

De todo modo, como disse, não sou detrator. Utilizo, e muito, o método convencional para avaliar os vinhos. Penso que este método procura as qualidades do vinho como substância, que é o que deve ser feito em uma feira, por exemplo. Já o método que proponho, capta a experiência humana do vinho, suas histórias (do homem e do vinho), suas profundidades (êxtases sensíveis – gosto, cheiro – êxtases afetivos, orgásticos).

Assim, tanto para um lado, como para outro, tenho sempre uma obra-mestra em mãos: “O Gosto do Vinho”, de Émile Peynaud. Além de um grande cientista do vinho, Peynaud, menciona e defende a colaboração das “licenças poéticas” e, sobretudo, da Imaginação na busca, muitas vezes inglória, da expressão daquilo que a vivência de um vinho nos oferece. (ler, entre outros o post “Horizontes Psicológicos do Vinho”).

A colaboração de Peynaud é de suma importância para quem almeja algum aprendizado sobre o vinho. Um em um capítulo em especial, “As Palavras do Vinho”, ele se preocupa com um tema mister, quer pra quem queira fazer uma degustação convencional, quer para aqueles que buscam a expressão mais íntima da experiência. O tema tratado é o Vocabulário. Assim, resolvi reproduzir um dos quadros da obra deste autor. O fiz em PowerPoint, a fim de que me servisse de exercício. Tal é a consciência de Peynaud a respeito da INexatidão deste método empírico-racional de degustação/expressão, que intitulou o quadro como “Tentativa de representação racional de um vocabulário gustativo”. Destaco que, por ora, está-se falando apenas da questão gustativa. Segue quadro:

Tentativa racional voc gosto-163

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s